29 de Outubro de 2010
Tive alta do Hospital de S. João! Pode-se dizer que já estou a 100%!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
23 de Agosto de 2009

Domingo, praia de Moledo, um dia de Verão cheio de sol, algum vento e uma belas ondas.
Vou de bicicleta para a praia, sozinho, farto de esperar pelos meus primos que não se despachavam. No caminho, imagino como vai ser bom aquele dia na praia, deve ser mesmo para ficar até ao fim do dia, com os meus primos e amigos que são muitos.
O pessoal lá vai chegando depois de mim (haverá alguns que nem irei ver nesse dia).
Está vento e a água está fria, mas as ondas estão irresistíveis. Está na hora de mergulhar!
E eis então que vem aquela onda que não devia existir, que me atraiçoou...
Corri, dei um mergulho .... e não consigo virar-me, não consigo sair da água, os braços e as pernas não me obedecem, não percebo o que me está a acontecer. Sou tirado da água pelo meu pai e tio que por acaso estavam perto e se aperceberam que algo estava errado e não era brincadeira.
Não sinto nada, dos ombros para baixo, não mexo as pernas, não mexo os braços, não sinto frio nem calor. Respondo a tudo o que me perguntam, estou lúcido, mas estou baralhado, não sei o que me está a acontecer.
Conhecidos, desconhecidos, amigos, uma pequena multidão à minha volta, estou calmo, estou vivo, mas não sinto nada.
Uma ambulância, de Vila Praia de Âncora, vem-me buscar e com auxílio de três médicos desconhecidos para mim, mas que prestaram uma grande ajuda, é-me colocado um colar no pescoço e sou deitado numa maca muito dura(o meu pescoço irá permanecer dia e noite com um colar até ao dia 1 de Dezembro).
Na ambulância, medem-me as tensões, dão-me uma picadela no dedo do pé para determinar a glicose e o bombeiro pergunta-me se doeu, respondo que sim, mas na verdade não senti nada, mas gostava de ter sentido.
De Moledo para o Hospital de Viana de ambulância, vou com a minha mãe, mal posso ver a cara dela, mas sei que está muito triste e aflita. Penso que não tinha o direito de a fazer sofrer nem aos meus tios com que passava férias, logo eles que já sofreram tanto com outros acidentes que ocorreram na vida deles.
Na urgência do Hospital de Viana ao fazerem a triagem, mexo ligeiramente os dedos dos pés e isso parece ser um bom sinal.
Sou imediatamente medicado com corticóides que é um procedimento que nestes acidentes deve ser feito o mais rapidamente possível.
Vou para a radiologia fazer um TAC, será este que irá dizer ao certo o que me aconteceu e até que ponto foi grave o meu acidente.
A cabeça começa a doer-me e a posição é muito incomoda, não me posso mexer nem um bocadinho.
O meu corpo permanece molhado e cheio de areia mas nada me podem fazer.
As horas passam, o resultado do TAC tarda em chegar, são as festas de Viana e a urgência está cheia de gente.
Quando o resultado chega, ninguém me quis assustar, tenho uma fractura na cervical ao nível de C5, não se sabe se vou ser operado ou não.
Às 23horas, sou transferido para o Hospital de S. João no Porto. Já se passaram dez horas desde aquele fatídico mergulho, não sei ainda quem vou ser daqui para a frente.
A viagem para o Porto em nova ambulância é feita com a ajuda de um enfermeiro, parece que me custa a respirar e nunca mais chega ao fim.
Finalmente, chego à urgência do H. S. João, sou passado, com a ajuda de muita gente, para outra maca e é-me colocado outro colar, mas igualmente muito incómodo e fico à espera com a minha mãe num corredor durante uma eternidade. A minha paciência foi diminuindo ao longo destas terríveis horas e agora estou no meu limite, não aguento, estou desesperado, por favor façam alguma coisa! É simplesmente terrível!
Mas o mais terrível estaria ainda para surgir. O médico da urgência informa a minha mãe que o meu estado é muito grave, tive sorte de não ter morrido e terei de ser operado de urgência pois além da fractura tenho lesão medular embora não completa. Nas horas seguintes, ouvi de tudo e continuo confuso, não sei muito bem ainda como aconteceu isto tudo. Parecia um mergulho normal, mas não foi, a onda era grande mas a profundidade era pouca e eu bati com a cabeça no chão.
Sei que a onda de solidariedade foi enorme. A notícia foi-se espalhando rapidamente e as mensagens de amizade foram imensas sobretudo de gente com a minha idade.
A operação seria no dia seguinte, 24 de Agosto, segunda-feira, e foi bem sucedida.
No Hospital estive internado 15 dias ; comecei por mexer os pés, depois as pernas muito lentamente e os membros superiores, braços e mãos foi o mais difícil. Uma sensibilidade muito grande à água sobretudo à água fria que provocava em mim um enorme sofrimento difícil de explicar.
Da cama, passei para uma cadeira de rodas, comecei a fazer fisioterapia ainda durante o internamento e mesmo depois de ter alta no dia 4 de Setembro, continuei a ter que ir todos os dias fazer fisioterapia ao hospital.
Quando consegui andar, comecei também a ir às aulas na escola, embora ainda com o colar.
O equilíbrio não era muito, a falta de força nos braços e mãos condicionaram-me muito nesses primeiros tempos, mas a vontade de voltarmos a ser como éramos antes faz com que o empenho e a força de vontade seja enorme. Entre consultas, tratamentos e dependência dos meus pais para ser transportado de um lado para o outro, foi passando o tempo e foi também melhorando o meu estado físico.
Continuo a fazer hidroterapia e fisioterapia mas agora posso dizer que já me sinto quase igual ao que era antes.
Tenho que ter cuidado nos desportos colectivos, não devo dar cabeçadas nas bolas, estou ainda um pouco limitado mas será talvez por pouco tempo, embora a recuperação total possa durar 2 anos.
Futebol era o meu desporto favorito, fazia descarregar as minhas energias e era um óptimo escape depois de estudar, para já terei de esperar mais um pouco.
Sem ajuda dos médicos, dos fisioterapeutas que de mim trataram, da minha família, dos meus amigos e ainda dos meus colegas do 10ºano que estiveram sempre com um enorme cuidado para que nada me acontecesse, não teria sido uma recuperação tão bem sucedida, a todos eles ficarei eternamente grato.
A todos os que gostam do mar, gostam de mergulhar aqui fica o meu testemunho, é preciso muito cuidado! Todos os médicos que me viram tinham inúmeros doentes como eu e muitos em estados físicos piores e irreversíveis, no fundo o que me aconteceu a mim foi muita sorte, apesar de eu achar que sorte era eu ter mergulhado nessa e em muitas mais ondas nesse dia e ter chegado ao fim tal como eu tinha imaginado... Um dia espectacular de Sol, ondas e amigos para a diversão.
..
Vou de bicicleta para a praia, sozinho, farto de esperar pelos meus primos que não se despachavam. No caminho, imagino como vai ser bom aquele dia na praia, deve ser mesmo para ficar até ao fim do dia, com os meus primos e amigos que são muitos.
O pessoal lá vai chegando depois de mim (haverá alguns que nem irei ver nesse dia).
Está vento e a água está fria, mas as ondas estão irresistíveis. Está na hora de mergulhar!
E eis então que vem aquela onda que não devia existir, que me atraiçoou...
Corri, dei um mergulho .... e não consigo virar-me, não consigo sair da água, os braços e as pernas não me obedecem, não percebo o que me está a acontecer. Sou tirado da água pelo meu pai e tio que por acaso estavam perto e se aperceberam que algo estava errado e não era brincadeira.
Não sinto nada, dos ombros para baixo, não mexo as pernas, não mexo os braços, não sinto frio nem calor. Respondo a tudo o que me perguntam, estou lúcido, mas estou baralhado, não sei o que me está a acontecer.
Conhecidos, desconhecidos, amigos, uma pequena multidão à minha volta, estou calmo, estou vivo, mas não sinto nada.
Uma ambulância, de Vila Praia de Âncora, vem-me buscar e com auxílio de três médicos desconhecidos para mim, mas que prestaram uma grande ajuda, é-me colocado um colar no pescoço e sou deitado numa maca muito dura(o meu pescoço irá permanecer dia e noite com um colar até ao dia 1 de Dezembro).
Na ambulância, medem-me as tensões, dão-me uma picadela no dedo do pé para determinar a glicose e o bombeiro pergunta-me se doeu, respondo que sim, mas na verdade não senti nada, mas gostava de ter sentido.
De Moledo para o Hospital de Viana de ambulância, vou com a minha mãe, mal posso ver a cara dela, mas sei que está muito triste e aflita. Penso que não tinha o direito de a fazer sofrer nem aos meus tios com que passava férias, logo eles que já sofreram tanto com outros acidentes que ocorreram na vida deles.
Na urgência do Hospital de Viana ao fazerem a triagem, mexo ligeiramente os dedos dos pés e isso parece ser um bom sinal.
Sou imediatamente medicado com corticóides que é um procedimento que nestes acidentes deve ser feito o mais rapidamente possível.
Vou para a radiologia fazer um TAC, será este que irá dizer ao certo o que me aconteceu e até que ponto foi grave o meu acidente.
A cabeça começa a doer-me e a posição é muito incomoda, não me posso mexer nem um bocadinho.
O meu corpo permanece molhado e cheio de areia mas nada me podem fazer.
As horas passam, o resultado do TAC tarda em chegar, são as festas de Viana e a urgência está cheia de gente.
Quando o resultado chega, ninguém me quis assustar, tenho uma fractura na cervical ao nível de C5, não se sabe se vou ser operado ou não.
Às 23horas, sou transferido para o Hospital de S. João no Porto. Já se passaram dez horas desde aquele fatídico mergulho, não sei ainda quem vou ser daqui para a frente.
A viagem para o Porto em nova ambulância é feita com a ajuda de um enfermeiro, parece que me custa a respirar e nunca mais chega ao fim.
Finalmente, chego à urgência do H. S. João, sou passado, com a ajuda de muita gente, para outra maca e é-me colocado outro colar, mas igualmente muito incómodo e fico à espera com a minha mãe num corredor durante uma eternidade. A minha paciência foi diminuindo ao longo destas terríveis horas e agora estou no meu limite, não aguento, estou desesperado, por favor façam alguma coisa! É simplesmente terrível!
Mas o mais terrível estaria ainda para surgir. O médico da urgência informa a minha mãe que o meu estado é muito grave, tive sorte de não ter morrido e terei de ser operado de urgência pois além da fractura tenho lesão medular embora não completa. Nas horas seguintes, ouvi de tudo e continuo confuso, não sei muito bem ainda como aconteceu isto tudo. Parecia um mergulho normal, mas não foi, a onda era grande mas a profundidade era pouca e eu bati com a cabeça no chão.
Sei que a onda de solidariedade foi enorme. A notícia foi-se espalhando rapidamente e as mensagens de amizade foram imensas sobretudo de gente com a minha idade.
A operação seria no dia seguinte, 24 de Agosto, segunda-feira, e foi bem sucedida.
No Hospital estive internado 15 dias ; comecei por mexer os pés, depois as pernas muito lentamente e os membros superiores, braços e mãos foi o mais difícil. Uma sensibilidade muito grande à água sobretudo à água fria que provocava em mim um enorme sofrimento difícil de explicar.
Da cama, passei para uma cadeira de rodas, comecei a fazer fisioterapia ainda durante o internamento e mesmo depois de ter alta no dia 4 de Setembro, continuei a ter que ir todos os dias fazer fisioterapia ao hospital.
Quando consegui andar, comecei também a ir às aulas na escola, embora ainda com o colar.
O equilíbrio não era muito, a falta de força nos braços e mãos condicionaram-me muito nesses primeiros tempos, mas a vontade de voltarmos a ser como éramos antes faz com que o empenho e a força de vontade seja enorme. Entre consultas, tratamentos e dependência dos meus pais para ser transportado de um lado para o outro, foi passando o tempo e foi também melhorando o meu estado físico.
Continuo a fazer hidroterapia e fisioterapia mas agora posso dizer que já me sinto quase igual ao que era antes.
Tenho que ter cuidado nos desportos colectivos, não devo dar cabeçadas nas bolas, estou ainda um pouco limitado mas será talvez por pouco tempo, embora a recuperação total possa durar 2 anos.
Futebol era o meu desporto favorito, fazia descarregar as minhas energias e era um óptimo escape depois de estudar, para já terei de esperar mais um pouco.
Sem ajuda dos médicos, dos fisioterapeutas que de mim trataram, da minha família, dos meus amigos e ainda dos meus colegas do 10ºano que estiveram sempre com um enorme cuidado para que nada me acontecesse, não teria sido uma recuperação tão bem sucedida, a todos eles ficarei eternamente grato.
A todos os que gostam do mar, gostam de mergulhar aqui fica o meu testemunho, é preciso muito cuidado! Todos os médicos que me viram tinham inúmeros doentes como eu e muitos em estados físicos piores e irreversíveis, no fundo o que me aconteceu a mim foi muita sorte, apesar de eu achar que sorte era eu ter mergulhado nessa e em muitas mais ondas nesse dia e ter chegado ao fim tal como eu tinha imaginado... Um dia espectacular de Sol, ondas e amigos para a diversão.
Apresentação
Olá, eu sou o Manuel, tenho 16 anos, frequento o 10ºano e nas aulas de Educação Física estou sentado num banco.
E perguntam vocês:
-Porquê?
Neste blog o meu objectivo é explicar-vos o que me aconteceu e porque não faço educação física.
E perguntam vocês:
-Porquê?
Neste blog o meu objectivo é explicar-vos o que me aconteceu e porque não faço educação física.
Subscrever:
Comentários (Atom)